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CORINGA – CRÍTICA SEM SPOILERS

Sou eu ou o mundo está ficando mais louco?

– Joker

Há muito tempo eu não saia do cinema com vontade de voltar para a sessão imediatamente e assistir o filme novamente, e foi basicamente assim que me senti com Coringa.

Coringa é angustiante, perturbador, provocador… Talvez uma experiência um pouco desconfortável, mas isso não torna a história de Arthur Fleck menos interessante.

Como esperado, a atuação de Joaquin Phoenix é magnífica, e só isso já irá valer cada centavo do seu ingresso. Gargalhadas histéricas, dancinhas insanas, trejeitos macabros… O ator de fato fez um mergulho profundo na mente de um personagem complexo e doentio que realmente rendeu momentos sublimes na tela.

É claro que comparações com a atuação de Heath Ledger em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) serão inevitáveis, mas ao meu ver, um tanto quanto injustas.

Mesmo tendo grande destaque, precisamos levar em consideração que Ledger (e também seus predecessores) foi coadjuvante em seu filme, ganhando um Oscar póstumo nesta categoria, logo, não teve tanto tempo de tela quanto Phoenix.

Phoenix fez um trabalho genial, extraordinário, mas teve um filme só seu, sendo o centro das atenções e tendo todo o tempo do mundo para suas introspecções, reflexões, delírios, etc…

Não me entenda mal… É claro que isso não é demérito algum! Acho de verdade que temos o melhor Coringa dos cinemas hoje. Mas tanto Heath Ledger quanto Jack Nicholson ainda merecem ser lembrados e deixaram abordagens diferentes para o personagem.

Além de tempo, Phoenix também teve um ótimo material em mãos. Para minha surpresa, o roteiro é muito bem escrito, e temos um personagem construído de maneira lenta e gradual. Foi o casamento perfeito! Um ator genial com um excelente texto.

Mesmo bebendo muito da fonte de Taxi Driver (1976) e Martin Scorsese, Todd Phillips conseguiu me surpreender. Além do clássico estereótipo de psicopata insano, Phillips foi capaz de apresentar uma nova faceta ao personagem: a de comediante fracassado.

O diretor traz pontos interessantes e reflexivos sobre o humor. Afinal, o que determina uma boa piada? Ou melhor… Quem pode decidir o que é engraçado? Um coletivo de pessoas que riem juntas? A comédia também é arte, logo, está sujeita a diferentes formas e interpretações.

Um ‘palhaço triste’ requer nuances de bom humor e melancolia e Phillips conseguiu balancear o tom na medida certa, impedindo que o filme se torne um monólogo pedante e chato.

Esqueça os filmes de super-heróis ou até mesmo baseados em quadrinhos até o momento. Coringa é tão brilhante e com tantas camadas a serem exploradas que se torna uma obra muito além do gênero. É um ponto fora da curva.

O filme tem algumas referências bem interessantes que com certeza vão agradar aos fãs do Batman. Mesmo sendo baseado em quadrinhos, Coringa não deixa de ser uma obra madura e traz uma perspectiva mais realista ao cânone do herói. É como se Gotham City fosse de fato uma cidade real, com problemas reais, sociais e econômicos, condizentes com uma cidade norte americana na década de 70/80.

Muito foi se falado sobre a violência neste filme, e até certo ponto é algo pertinente, tanto que o filme foi indicado para maiores de 16 anos aqui no Brasil, certo?!

Mas sendo sincero, não é de hoje que a violência é utilizada como forma de expressão no cinema ou muito menos na arte. Aliás, a violência no mundo existe (pasmem!), e Coringa traz apenas mais uma oportunidade de debate-la.

Abordar esse tipo questão agora, de forma negativa para criticar um filme que notoriamente tem um vilão como protagonista, soa um tanto quanto casuísta. Parece a opinião de alguém que está pré-disposto a não gostar de algo antes mesmo de assistir.

Não há nada ali que você não irá encontrar em um episódio médio de Game of Thrones.

Não há violência gratuita e exuberante.

Coringa vai além de mostrar uma matança por pura estética.

Todd Phillips nos mostra uma Gotham City tomada pelo descaso de suas autoridades, em uma profunda crise econômica, que abandona milhares de cidadãos a mercê da pobreza e violência. Falta emprego, saúde, segurança… Neste cenário, a morte de uma pessoa abastada choca a cidade, enquanto milhares de pobres sofrem (e morrem) diariamente com o desprezo de seus representantes.

É uma mensagem impactante, sim! Um soco no estômago em alguns momentos, pois desnuda a indignação seletiva de uma sociedade hipócrita que se choca apenas quando convém. Mesmo tratando-se de um cenário fictício, não deixa de ser uma crítica social pertinente, que claro, deve ser interpretada com bastante moderação.

O que acho mais interessante, é que mesmo após conhecer Arthur melhor e acompanhar sua trajetória para se tornar o ‘Príncipe Palhaço do Crime’, o personagem continua sendo um mistério para nós.

Quem é o Coringa de verdade? De onde veio? Onde quer chegar?!

São perguntas sobre o vilão que permanecem sem resposta definitiva, e pra falar a verdade, pouco importam.

Dentro de sua concepção completamente deturpada da realidade, Coringa é apenas alguém que veio trazer risos e alegria a este mundo…

E ele literalmente colocou um sorriso na minha cara.

Por Régis Oliveira.

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Criada por dois amigos viciados em conteúdo Geek, este blog surgiu como uma forma de extravasar o estresse do dia a dia produzindo conteúdo de qualidade. De fã para fã… com vocês… a BBKCORP!

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